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sábado, 9 de outubro de 2010

Itabira uma sombra de saudade
















De Itabira carrego as saudades, que me perseguem como sombras. Saudades de minha catedral com sua praça com aquele minúsculo obelisco, que chamávamos de pirulito, por onde as procissões contornavam, ou mesmo servia de referencia para separar homens de mulheres em procissão do Cristo Morto na Semana Santa. Nesta praça o paredão com aqueles inúmeros furos onde se escondiam as nossas andorinhas, mais tarde pardais expulsam usurpam seus ninhos para reprodução.

E minhas andorinhas nunca mais foram vistas pela região.

Saudade das procissões na Semana Santa, mãos queimando do toco da vela que escorria. Vivia aquela profunda emoção com lágrimas nos olhos ao ouvir o Sermão das Sete Palavras na procissão de Encontro na voz emocionada do Pe. Lopão e naquele dilacerante canto entoado pela Verônica, eu vivia, eu sentia, eu sofria na pele.

Saudades de minhas ruas de pedras escorregadias de mineiro de ferro, que me fazia perder as pontas dos dedos nas peladas diárias. Saudade daquela dor de ver o dedo sendo curado por minha mãe com uso apenas de sal e limão, doía, mas no outro dia estava pronto para novas estocadas. Saudades das risadas e dos passos desengonçados das mulheres quando perdiam seus altos saltos nas pedras de minhas ruas, quando saracoteavam suas longas rodadas saias procurando namorados nas ruas de pouquíssimos carros e muitos cavalos e mulas cargueiras.

Mas as chuvas que Deus mandava, minhas ruas sugavam com sede de beduíno.

Saudade do brilho do Pico do Cauê com sua imponência azul naquela serra, onde todos os dias assistia o tingir do céu numa vermelha poeira depois de seguidas explosões, que agitavam meu coração de menino, que achava linda toda àquela agitação de sirenes, pessoas correndo, cachorros latindo, vidraças vibrando, às vezes quebrando, eram como o Pico gritasse como um leão na barriga daquela serra.

Eu menino nem sabia que ali estava processando esta saudade que agora sinto.

Saudade dos comícios animados e engraçados de apenas dois partidos, de andar de carroceria de caminhão de bairro em bairro e eram tão poucos que se faziam numa noite, menino seguindo gente grande na noite sem perigo da cidade, tudo era festa.

Saudade de andar pelas serras na procura de Gabirobas, nadar nas lagoas sem medo da xistose, passear pelos pomares na procura de Jabuticaba nas chácaras da Cia Vale do Rio Doce ou mesmo na fazenda Pontal da família de Carlos Drummond.

Ah, esta saudade que sinto desta Itabira que me faz hoje viver nesta distancia, coletando fragmentos, que minha mente insiste em servir em prato de barro, que buscava naquele brejo que não mais existe.

Ah, eu bem que não queria sentir esta saudade doída, mas não tem jeito, pois cada vez que me tenho estas lembranças, com a certeza, que o progresso sem controle de processos nada preservou, resta apenas esta parede sem brilho, este buraco, esta serra careca, esta velha Maria Fumaça sem apito, sem fumaça, mal cuidada na entrada de minha cidade. São estas constatações que doem muito mais do que estas recordações que agora me acompanham.

Ah, eu não queria, mas como vejo, eu não sei viver sem estas lembranças Itabira.





imagem arquivo PMI

Uma lembrança/homenagem a minha cidade Itabira-MG no seu aniversario de 162 anos de emancipação em 09/10/2010.
Parabens Itabira!!!





Toninhobira

09/10/2010.



sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Sem você.





Cala minha voz nesta ausência
Que se faz de você
Deixa minha’lma sentida
Perdida nos carinhos que muitas vezes
de suas mãos sentiu e adormeceu.

Na boca o doce gosto dos beijos
Perdido mel depois que você se foi
Deixando apenas o medo
Que alimenta de desejos
sua presença nas noites aflitas.

Ah, se não fosse esta ausência sofrida
Que incendeia vã espera de você,
Ter os carinhos e delicioso perfume
De sua fonte do prazer

Saudade de fruta doce desejada proibida
que mordida deixa doce aroma,
Como a madeira ao machado
Foi-se felicidade
  no acre da solidão



imagem Google

Toninhobira
30/09/2010

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Brincando com a MPB

Brincando com musicas da MPB.














Era um dia destes em que a gente se sente que tudo conspira, para que sintamos como quem partiu ou morreu...
Dia em que você estanca como na sua Roda viva.


Então me aparece o Gilberto Gil numa malemolência filosófica, que eu precisava de um tempo rei, para que houvesse uma conquista. Que viria de uma explosão quântica sideral. Eu quase nada entendi, mas prossegui, pois acreditava ter entendido o caminhar com a fé, que segundo ele não costumava faiá.

Foi nessa fé, que fiquei feliz ao encontrar Gal Costa, que dizia que alguém me daria sorte na vida, pensei com meus botões, que maravilha estava a dizer esta menina porreta. Que mais poderia querer?

Assim entrei no Café do Ponto e dou de frente com Gonzaguinha, sentado num banquinho de ponta de balcão. Um copo pela metade, o violão recostado, um cigarro acesso da fumaça que subia. Ele fazia apologia sobre um lindo lago azul, onde se poderia viver feliz, eternamente feliz todos os sonhos. Gostei e fiquei a pensar, como está esperançoso o moleque filho do Velho Lua. Vivendo nesta esperança sem vergonha nem medo de ser feliz, assim como um eterno aprendiz.

Procurei uma mesa para me acomodar, busquei por uma vazia num canto daquele sonoro e empolgante bar. Na mesa um Herman Torres um pouco roto pelo tempo, aberto como bíblia em casa de católicos, a página aberta, nas palavras um alerta no mais rigoroso cuidado com a paixão que não encontram os faróis para iluminá-la.

Mas resoluto segui meu dia e fui estar com Ivan Lins numa calçada de praia, o mesmo estava a dar conselhos a um grupo de jovens universitários incentivando-os a querer toda louca liberdade. Que seriam pessoas vitoriosas, sem a vergonha de aprender como se gosta e que a vida com certeza seria maravilhosa... Coisa assim de guru.

Mas como tudo tem seu lado oposto, um pouco além estava o Jessé numa eloqüência nunca vista, discursando sobre tal Porto Solidão, que segundo ele lá é que ficam todas as pessoas, que constroem castelos e não conseguem habitá-los... Só que sonhos devem e podem ser sonhados.

Não suportando tamanha melancolia e desilusão, depressa afastei na direção sul, é quando encontro a Maria Bethania de cabeleira grisalha rodeada de crianças, ensinando como querer viver melhor. Cantarolava como a brincar de viver e redescobria o lugar e nesta a arte de sorrir a cada vez que o mundo lhe disse não...

E a menina com brilho nos olhos, sorriu e estendeu a mão implorando para que aprendêssemos com aqueles que desejavam ensinar, ainda que sejamos entusiastas, encantados, amadores equilibristas das palavras que insistem em cair pelas folhas da vida de nossa poesia.
O que importa?


Podemos ser lua e flor como pensa Osvaldo Montenegro, pode ser ou estar em sintonia como pensava Moraes Moreira, quando escutava uma canção feita justamente pra tocar numa rádio num canto da Bahia, talvez Juazeiro ou Sobradinho, mas que teria poderes de tocar no seu coração.


Mas que pena, que você não sintonizou, e assim nem se ligou ao meu coração, pensava e resmungava a menina.

E foi assim que o João Bosco como um corsário em seu barco, vagando pelas bandas da praia segurando um violão falava de flores do mar usadas numa festa do sol onde serenamente dormiu no colo perfumado de uma linda mulher de tranças longas pelas costas.

Quando despertou em êxtase, acreditava-se que nunca sonhara amar, no mar daquele jeito, ouvindo uma musica, que o Arantes cantarolava lá fora. E assim vamos menina, acreditando que amar valerá a pena, com todas estas ajudas tranqüilas e serenas.




Brincadeira inspirado em escritos de uma nossa leitora/poetisa.
A alagoana Mira Costa.


Obrigado Mira!






Toninhobira


29/09/2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Espelhar-se










Durante minha vida aprendi
Que a melhor coisa da vida se vai
a mulher mais bonita era mãe e cri.
Persegui ser o homem que era meu pai.

Aprendi que os amigos são para sempre
A mulher que amasse uma eterna amante
Que os amigos falham e fico impotente
Na vida que pensava ser emocionante.

Entendi na vida a arte de se espelhar
Nos meus pais as divinas referencias
Se o espelho se quebrar, hei que ajoelhar

Aprendi que a vida é ponte comprida
De um lado uma vida de preferências
Do outro a vida que deve ser vivida.


Espelho imagem do Google

domingo, 3 de outubro de 2010

No vazio da Cabine

No vazio da cabine.












Um dia para esquecer, assim foi esta manhã, quando me vi de frente para aquela urna. Solitário revendo todos os meus conceitos, revirando minha ideologia, assistindo um vídeotape de todas minhas lutas e sonhos de um país melhor, com uma pequena mais que justa fosse divisão de rendas. Sim eu era um sonhador sem nunca iludir sonhar com a erradicação da pobreza.

Sonhava com uma sociedade com olhares para a base de uma pirâmide que insistia crescer exponencialmente, que revisse os conceitos, que buscasse a presença do pão nos miseráveis lares espalhados por esta rica nação. Odiosa inaceitável esta coisa de nação tão rica para um povo miserável em bolsões.

Pois bem assim me sentia como uma criança que não fala, perdida na multidão de uma festa de rua, sem nenhum crachá que lhe pudesse identificar. E nesta tristeza meus olhos passeavam pelos números, não tinha cola ou qualquer tipo de lembrete, pois sempre soube os números, que inspiraram a sonhar e acreditar, mas desta vez, um branco anulante invadiu minha alma, e todos estes números se apagaram como uma mágica.

Lembrei do parto, momento de susto pela luz, momento da incerteza que se espera. Olhando fixo para o teclado, um numero me chamou a atenção, tinha o formato da barriga de minha mãe, neste momento senti uma onda de calor e conforto, era o beijo de minha mãe que me encorajava a dizer não, a esquecer todo o passado. Foi um momento de depuração ideológica. Aquele numero tinha a formula ideal de minha equação e o abracei com toda força que me restava. Meu dedo indicador se sentiu como a mais poderosa arma de repudio a toda este festival de besteira.

Estava decretado, computado e liberado para poder votar.
Que o voto seja livre!

Imagem Google.

Toninhobira
03/10/2010.