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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Ansiedade.









Imagem Google.




Como é difícil conviver em plena ansiedade,
Que sempre deixa marca com sua ardência,
Como de uma viagem que deixa uma saudade
Solitária, pelos braços gélidos de sua ausência,
Fiel e solidária companhia das noites vazias.

Estranho sentimento nesta espera infinita
Que o coração se agita no peito aflito
Da boca apenas o grito da saudade bendita
E fica a boca amargando estranho hálito.

Ansiedade que assedia nestas noites frias
Tão frias deste vento norte de Agosto
De um mar que sopra nas praias vazias
E nem a mão fria vem, acariciar meu rosto.

Neste desencontro me agarro à sua lembrança
Que ainda alimenta meu corpo nesta saudade,
Assim como se fosse seu corpo a ultima esperança
Que me faça aquecer e esquecer esta ansiedade.


Toninho.
24/08/2011

"Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado;
Ansiedade é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja" (
Mário Quintana)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Pelas ruas de Itabira




Divagando com Drummond
Pelas ruas de Itabira.

Numa de minhas voltas a Minas precisamente para Itabira, tive um sonho com o Drummond passeando pela cidade. Estava sentado ao meu lado, conversava sobre a cidade. Ele revelara sua decepção com o processo de degradação da cidade, com as serras desnudas, sem o frescor das manhãs, sem as águas do córrego da Água Santa, onde tantas vezes banhara, pescara lambaris e bagres, hoje estava sujo de lama de minério de ferro. Era só tristeza.

Questionei, se ele não estaria um pouco rancoroso, pois a cidade evoluíra, com a extração do minério tão cobiçado pelos gringos, o que fez de Itabira o centro, a capital do novo ciclo mineral. Lembrei a ele, que as autoridades até se preocuparam com suas memórias e refizeram a casa grande de sua fazenda e colocada numa serra com suas janelas voltadas para o seu Pontal, inclusive com aquela varanda onde antes deitava no final das tardes numa rede, que ganhara de presente de um amigo Cearense estudante de Ouro Preto, e ali lia as historias de Robinson Crusoé.

Sorrindo ele questionou sobre os pés de jabuticabas, em volta da casa, aonde os pássaros vinham fazer festa. Ele não estava nada satisfeito com o esforço, feito para resgatar sua memória. Criticou os caminhos Drummonianos, que para ele estavam desinformados, depredados e pouco realçados. Ele ainda me lembrou, passeando pelo centro, que as andorinhas no paredão da catedral estavam desaparecidas, e lembrou rindo, que numa revoada, certa vez um delas deixou suas fezes caírem na batina negra do Padre Zé Lopão. Sorri imaginando as palavras sufocadas na boca do lendário padre, com aquele corpanzil, se esquivando das fezes.

Neste clima saudosista o convidei para conhecer a nova Itabira. Seguimos para a entrada da cidade, no local chamado Areão, lá estava uma imensa estatua sua, mas com a mão vazia de uma maleta, que alguém roubou dias após a inauguração. De frente da estatua está uma Maria Fumaça, de tantas viagens e sonhos. Mas com olhos tristes deparou com a velha locomotiva degradada, deixou cair uma lagrima e sentou num banco no caminho de pedra, quando um trombadinha passou como raio e levou sua valise.

Fiquei sem argumentos com ele, pois esta maleta continha todos seus últimos escritos por editar. Ele me fez lembrar, que já havia perdido os óculos na praia de Copacabana lá no Rio de Janeiro. Para consolar ou persuadi-lo, citei que em Salvador na praia de Itapoã haviam roubado o encosto da cadeira de Vinicius de Morais, e uma maquina de datilografia do Jorge Amado numa avenida que leva seu nome. E que pior ainda, tinham levado o braço de Pelé, na frente do estádio Fonte Nova, deixando lhe sem sua amiga de tantos tempos e glorias. Que o povo andava um tanto quanto desmiolado. 

Assim, numa tentativa desesperada de fazê-lo menos rancoroso e saudoso, o convidei para recordar a infância e caminhar saltitante equilibrando pelos trilhos da linha férrea. Num instante pude ver renascer um largo sorriso infantil em seu rosto. Embrenhamos linha a fora, chegando até a estação. Pegamos o trem e seguimos viagem de retorno no tempo, deixando para trás uma Itabira atualizada no tempo, mas bem esquecida e perdida na memória. 


Observações:
 1-Em Salvador-BA, na Praia de Itapuan tem uma estatua (bronze) de Vinicius de Morais sentando numa cadeira e uma mesa, alguém quebrou o encosto da cadeira.
  
2-Em Salvador-BA na entrada do ex-Estádio Fonte Nova uma estatua (bronze) de Pelé segurando uma bola teve este braço arrancado com a bola. 
3-Em Salvador nos ano 80 um monumento com varias maquinas de datilografia foi montado em homenagem ao Jorge Amado na avenida que leva seu nome. Aos poucos as maquinas foram roubadas.

4-No Rio de Janeiro-RJ no calçadão de Copacabana a estatua (bronze) de Drummond constantemente tem os óculos roubados. 

5-Em Itabira-MG uma estatua de Drummond segurando uma valise, teve esta valise roubada.

 6-Em Itabira a VALE reconstruiu a casa de Drummond que funciona como museu e faz parte do roteiro chamado Caminhos Drummonianos.

7-Em Itabira a chácara do Intelecto é uma área preservada pela VALE, o zelador dela chamava-se Sr. Intelecto.

Toninho/2009