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sábado, 11 de agosto de 2012

Meu velho pai.

     


Minha referência em vida, de trabalho, dedicação, educação e respeito. Foi como os heróis, que conheci pelas leituras e filmes. Era a mão amiga, que embalava e amparava. Mãos grossas de calosidades da labuta, mãos pesadas que se faziam leves e que sabia bem do poder carinhoso, que elas transmitiam num simples aperto de mão. 

Veio a mudança de plano, mas as lembranças vivas me acompanham e sigo a fazer exatamente igual. Às vezes me flagro pensando nele, de como se comportaria numa ou outra situação que se apresente. Ele era equilíbrio,força e poder de decisão. Sabia e entendia das coisas do coração e sempre tinha um pensamento otimista, para desembaraçar uma situação complexa. Era como um velho marinheiro, que sabia das elevações das ondas e como navegar sobre elas até a descida. 

Aprendi que em cada manhã renasce a esperança como uma benção Divina, que me guia nesta caminhada de confiança e fé. Mas não aquela fé que implora e apenas espera. Mas a fé de quem luta pelo que se pretende e sabe que Alguém atua pela realização. Hoje são entendíveis as palavras, que sempre insistia em colocar nos meus ouvidos, às vezes surdos para a torrente de orientações e conselhos. 

Lembro-me da ultima lambada com a cinta de couro, após uma briga de rua com um vizinho, onde com minha língua afiada, ofendeu a mãe dele, como era comum nas brigas de meninos. Mas para meu pai uma falta grave digna de correção. eu me corrigi e agradeci cada lambada, pois em cada uma tinha a sua moral, que se sentia ferida.

Obrigado meu pai, por tudo que fez e tinha vontade de fazer e que eu na minha continua construção possa seguir à luz da dignidade, sendo também um espelho inquebrável, até que por fim venha a mudança de plano nesta longa viagem.

Fique na paz e descanse com sua missão cumprida, pois eu sobrevivi.


Toninho.
O meu terno abraço a todos os pais inclusive os que assumem esta missão independente de qualquer situação.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Desejo de amar V

Desejo de amar V.


Como resistir àquele corpo reluzente?
Brasa que incendeia os meus desejos,
Com seus beijos molhados e ardentes,
Embora seja loucura tudo que almejo.

Brilha nos olhos a silhueta da sedução,
No corpo que na dança insinua amor.
Mas se fica apenas nesta imaginação,
Na longa espera molda-se o sonhador.

Na madrugada fria o vento a açoitar
O silencio esmaga o arfar na solidão,
Os corpos agora distantes a respirar,
Na fixação do perfume da sedução.

Neste instante ainda ouço uma canção,
Que fala em versos da nova confiança,
Que inspira pela manhã como salvação
Dos que amam movidos de esperança.


Toninho.







domingo, 5 de agosto de 2012

Mineirisse das meninas di Minas







Olha a mineirisse das meninas di minas........

O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral engordar.
Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é
que o falar, sensual e lindo (das mineiras) ficou de fora?
Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando:
Ouvi-la faz mal à saúde. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir
para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar:
Só isso?
Assino achando que ela me faz um favor. Eu sou suspeitíssimo.
Confesso:
Esse sotaque me desarma. Certa vez quase propus casamento a uma menina
que me ligou por engano, só pelo sotaque. Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas.
Preferem, sabe-se lá por que, abandona-lãs no meio do caminho não dizem:
Pode parar, dizem: "pó parar". Não dizem: onde eu estou, dizem: “ôncôtô”.
Os não mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem - lingüisticamente falando - apenas de uais, trens e sôs.
Digo-lhes que não. Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço. Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro -metaforicamente falando, claro - ele é bom de serviço. Faz sentido...
Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: “cê tá boa”?”Para mim, isso é pleonasmo”. Perguntar para uma mineira se ela tá boa é desnecessário.

Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: - Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc). O verbo "mexer", para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar.Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido. Querem saber o seu ofício. Os mineiros também não gostam do verbo conseguir.
Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. Sôcê (se você) acha que não
vai chegar a tempo, você liga e diz:- Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô. Esse "aqui" é outro que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer,olá, me escutem, por favor. É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.
Mineiras não dizem "apaixonado por". Dizem, sabe-se lá porque,"apaixonado com". Soa engraçado aos ouvidos forasteiros.

Ouve-se a toda hora: "Ah, eu apaixonei com ele...". Ou: "sou doida com ele" (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas com alguma coisa.
Que os mineiros não acabam as palavras, todo mundo sabe. É um tal de bonitim, fechadim, e por aí vai. Já me acostumei a ouvir: "E aí, vão?".
Traduzo: "E aí, vamos?". Não caia na besteira de esperar um "vamos"
completo de uma mineira. Não ouvirá nunca. Eu preciso avisar a língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira.

Nada pessoal. Aqui certas regras não entram. São barradas pelas montanhas.
Por exemplo: em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer:- Eu preciso de ir. Onde os mineiros arrumaram esse "de", aí no meio, é uma boa pergunta. Só não me perguntem. Mas que ele existe,existe. Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório. Deixa eu repetir, porque é importante. Aqui em Minas ninguém precisa ir a lugar nenhum. Entendam... Você não precisa ir, você "precisa de ir".
Você não precisa viajar, você "precisa de viajar". Se você chamar sua filha para acompanhá-la ao supermercado, ela reclamará: Ah, mãe, eu preciso de ir?

No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um tanto de coisa. O supermercado não estará lotado, ele terá um tanto de gente.
Se a fila do caixa não anda, é porque está agarrando lá na frente.
Entendeu? Agarrar é agarrar, ora!
Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará: - Ai, gente, que dó. É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras. Não vem caçar confusão pro meu lado.
Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro "caça confusão".
Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele "vive caçando confusão".

Para uma mineira falar do meu desempenho sexual, ou dizer que algo é muitíssimo bom vai dizer: "Ô, é sem noção". Entendeu, leitora? É sem noção!
Você não tem, leitora, idéia do tanto de bom que é. Só não esqueça, por favor, o "Ô" no começo, porque sem ele não dá para dar noção do tanto que algo é sem noção, entendeu?
Capaz... Se você propõe algo ela diz:capaz !!!Vocês já ouviram esse"capaz"? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer "ce acha que eu faço isso"!? Com algumas toneladas de ironia..
Se você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá: "ô dó docê".
Entendeu? Não? Deixa para lá. É parecido com o "nem...". Já ouviu o"nem..."? Completo ele fica:- Ah, nem...O que significa? Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeitonenhum. Você diz:
"Meu amor, cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?".
Resposta: "nem..." Ainda não entendeu? Uai, nem é nem. Leitor, você émeio burrinho ou é impressão?
A propósito, um mineiro não pergunta: "você não vai?". A pergunta,mineiramente falando, seria: "cê não anima de ir"? Tão simples.
O resto do Brasil complica tudo.
É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem... Falando em "ei....".
As mineiras falam assim, usando, curiosamente, o "ei" no lugar do "oi".
Você liga, e elas atendem lindamente: "eiiii!!!", com muitos pontos de exclamação, a depender da saudade...
Tem tantos outros... O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema. Sou não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras. Aliás, deslizes nada.
Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão. Se você, em conversa, falar:

 Ah, fui lá comprar umas coisas... - Que' s coisa? - ela retrucará.
O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o que. Ouvi de uma menina culta um "pelas metade", no lugar de "pela metade". E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará: - Ele pôs a culpa “ni mim". A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas...
Ontem, uma senhora docemente me consolou: "preocupa não, bobo!"...
E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras, nem seespantam. Talvez se espantassem se ouvissem um: "não se preocupe”, ou algo assim.

*Carlos Drummond de Andrade*



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Acordando com uma saudade danada de Minas. 

Normalmente eu posto aqui só coisas minhas, mas quando leio este moço acima, eu tenho que repensar.
Bom domingo e uma bela semana de alegrias.

Toninho