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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Sufocantes lembranças.





Vêm saudades daquelas lamparinas,
Luminárias fieis nas noites sem luar,
nos poucos casebres ao pé da colina,
alivio temporário do medo do lugar.

Quando o sol se punha caia a noite,
com seu lençol negro e nada se via,
apenas aquela tímida luz de azeite,
em cada quarto a lamparina ardia.

No ar o cheiro do querosene reinava,
em contraste com o bom do alecrim,
que todo o dia na casa se respirava.
Minha vó o plantara ali no jardim.

As lembranças incendiadas no pavio,
que lembram as minhas locomotivas,
na fumaça que sobe vêm os arrepios,
meus medos das assombrações vivas,

Hoje distante ainda ouço seus passos,
da implacável e incansável sentinela,
que muito inspira os versos que traço,
um anjo na terra no céu uma estrela.

Toninho.
19/01/2015
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Notinha:  
Lamparina: pequena vasilha metálica com um pavio no centro, que boia no azeite, produzindo luz fraca. A sua fumaça impregnava toda a casa, eram as luminárias antes da expansão da energia elétrica nos lugares mais pobres.
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 Também escrevo por aqui: toninhobira.blogspot