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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Gestação de Primavera.















Sob a sombra descansei.
Adormeci acordei velho.
Sob os pés as folhas secas
Da arvore agora despida.
Despi fantasias do verão.
Serei Primavera.

Toninho

18/08/2017

Minha participação na BC_#umaimagemem140caracteres de Mari e Silvana em toda Sexta-feira.

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Outras inspirações na imagem:

I
O vento desnuda as arvores,
as engravida de primavera.
Linda gestação da natureza.
O banco acolhe as folhas secas,
que o bronze inerte observa.

II
Tapete na praça.
Vestígios do Outono_
Árvores nuas.

III
Árvores despidas numa praça,
O bronze retrata um passado,
dos heróis na Inércia de vidas,
O banco se vestiu de amarelo.


Toninho.

Bronze: referencia às estátuas e bustos colocados em praças.
II é um Haicai.





terça-feira, 15 de agosto de 2017

Parada da fé.





Todos os dias por aquele caminho via passar umas crianças pobres do lugarejo das Duas Pontes, seguiam felizes cantavam canções, que aprenderam com seus pais. Era um caminho de pedras soltas no sopé de uma serra, várias vezes cortado por um regato, onde troncos de madeira serviam como rudes pontes.

No meio destas crianças tinha uma menina, que se destacava pelas longas tranças douradas, era muito clara e franzina, parecia doente. Muitas vezes parava pelo caminho como a recuperar a respiração, mas sempre apoiada pelos amigos, conseguia vencer a distancia para chegar até à escolinha numa fazendinha, onde a filha do fazendeiro alfabetizava as crianças daquela região.

Um dia da margem do regato onde pescava, vi o grupo de crianças, seguiam silenciosas na rotineira caminhada de volta para suas casas. Intrigado e curioso gritei para saber da falta da menina, a de tranças longas. Um garoto me observou e olhou para o céu dizendo, que ela foi morar com Nossa Senhora. Fiquei mudo e emocionado e baixei os olhos.

Algum tempo passou, voltei àquele lugarejo como de costume, para dias de folga longe da cidade e junto à natureza, pois lá morava minha avó. Numa manhã de volta da pescaria, notei que havia uma gruta bonita junto a uma nascente onde as crianças paravam para beber água. Percebi uma linda imagem de uma santa com manto azul.

Em conversa com a avó, soube que ali num dia após forte temporal, várias pedras deslizaram da serra, no momento que as crianças passariam, mas que uma forte luz surgiu na frente deles e no meio da luz, a figura de uma menina de trança com braços abertos os impediu de seguir, justamente quando as pedras no caminho. Desde aquele dia as crianças colocaram aquela imagem de Nossa Senhora na gruta.

Agora os moradores do lugarejo passam pela gruta e se benzem. Outros levam a água em garrafinha, pois creem num milagre de Nossa Senhora a pedido da menina franzina de longas tranças douradas.  Já as crianças todos os dias param junto à gruta, cantam o que a menina mais gostava , depositam flores brancas. E seguem na feliz cantoria, pois acreditam piamente, que no céu alguém cuida delas com carinho.

Toninho
15/08/2017 

Inspiração para a BC_botando a cabeça para funcionar projeto da Chica nos dias 5, 15 e 25. Conheça e viaje na imagem aqui: chicabrincadepoesia





quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Saudades lá do mato



Eu canto com amor a saudade,
na mistura de coisas, de gente,
o cheiro de mato cá na cidade,
inebria-me de forma crescente. 

Trouxe as alegrias dos sonhos,
às vezes um medo incendiado,
em ouvir os contos medonhos,
mania de menino no povoado.

Eram noites à beira do fogão,
família reunida na harmonia.
Mingau fervia num caldeirão,
som de rádio é viva nostalgia.

A lembrança aqui transborda,
como a letra de samba enredo,
a emoção que sempre acorda,
é revelação de algum segredo.

Isto é o saudosismo, ora dirão,
que não se escode pelos versos,
nem entrelinhas no diapasão,
afinam esta saudade do berço.

Toninho
28/07/2017

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Sempre grato com 
sua visita.
Um bom fim de semana

sábado, 5 de agosto de 2017

Depois da chuva



Fim de um temporal devastador,
águas pelas ruas como um riacho.
De minha janela como espectador
olho desolado, escapa-me o diacho.

Arvores caem sobre carros e fios.
cidade se desliga black-out geral.
Cenas reprisam os anos anteriores
revelam a inoperância municipal .

Ouço sirene ambulância em ação,
em sinfonia com o carro bombeiro,
são eles bravos anjos da salvação,
o perigoso jogo da vida pela vida.

ao longe uma fusão bela de cores
rouba-me o olhar com o arco-íris
viajo nas suas linhas multicolores
fuga da dor por um triz sou feliz.

Toninho

05/07/2017
Minha participação para a BC_botando a cabeça para funcionar projeto da Chica e seu neto Neno confira as inspirações chicabrincadepoesia

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Grato.